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Armazenamento, limpeza e inspeção de EPI’s para trabalho em altura.


Armazenamento, limpeza e inspeção de EPI’s para trabalho em altura.
Nesse breve artigo vamos tratar sobre os tipos de inspeções, armazenamento e limpeza dos principais equipamentos utilizados em trabalho em altura.

 NR 35

 A Norma Regulamentadora NR 35 (Trabalho em Altura) traz alguns pontos obrigando a questão da inspeção de equipamentos e isto acaba por mostrar a importância desta ação para a segurança do trabalhador. Abaixo pontos da NR 35 que tratam de inspeção:
35.5.2 Na aquisição e periodicamente devem ser efetuadas inspeções dos EPI, acessórios e sistemas de ancoragem, destinados à proteção de queda de altura, recusando-se os que apresentem defeitos ou deformações.

35.5.2.1 Antes do início dos trabalhos deve ser efetuada inspeção rotineira de todos os EPI, acessórios e sistemas de ancoragem.

35.5.2.2 Registrar o resultado das inspeções:

a) na aquisição;
b) periódicas e rotineiras quando os EPI, acessórios e sistemas de ancoragem forem recusados.
35.5.2.3 Os EPIs, acessórios e sistemas de ancoragem que apresentarem defeitos, degradação, deformações ou sofrerem impactos de queda devem ser inutilizados e descartados, exceto quando sua restauração for prevista em normas técnicas nacionais ou, na sua ausência, normas internacionais.

 Normas técnicas

 As normas técnicas brasileiras (NBR), redigidas por grupos de estudos dentro da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são, em sua maioria embasadas em normas européias. São elas que determinam procedimentos e metodologias de ensaios de produtos e estabelecem os requisitos de conformidade técnica dos mesmos. As NBRs também contêm diretrizes relacionadas à periodicidade de inspeção dos EPIs, condições para descarte de equipamento, conteúdo de manuais técnicos entre outros temas. Veja abaixo um ponto da norma britânica BS 8437 que esta sendo estudada pela ABNT para se tornar uma NBR:

13.1.1 É essencial que todos os equipamentos de suporte de carga sejam submetidos à uma inspeção visual e tátil antes de cada uso para assegurar que estão em uma condição segura e funcionam corretamente. Deve ser obtido o conselho do fabricante sobre como fazê-lo, e este conselho deve ser estritamente seguido.
13.1.2 Os procedimentos da inspeção formal devem ser colocados no local pelos empregadores para assegurar que o equipamento de proteção individual de queda é submetido a uma inspeção detalhada (“inspeção sistemática”) por uma pessoa competente antes do primeiro uso e em intervalos não maiores que seis meses, ou três meses onde o equipamento for usado em condições árduas, e depois que circunstâncias sujeitas a prejudicar a segurança tenham ocorrido.

13.1.3 É essencial que a pessoa que executar o exame completo seja suficientemente independente e imparcial para permitir que decisões objetivas sejam tomadas, isto é, que tenha apropriada e genuína autoridade para descartar o equipamento. Isto não quer dizer que pessoas competentes tem que necessariamente ser empregados de uma companhia externa.
Abaixo, um trecho da NBR 15836:2010 (EPI – Cinto de Segurança tipo Paraquedista) com relação ao tempo de vida de um cinto:

7. h) as limitações dos materiais do cinturão ou os riscos que podem afetar suas utilizações, por exemplo, temperaturas, umidade, efeito de afiados ou arestas agudas, agentes químicos, cortes e abrasões, degradação por radiação UV, armazenamento e outras condições;
7. i) a provável duração do cinturão (obsolescência), ou a maneira pela qual pode ser determinada;
7. r) a informação de que o cinturão de segurança tipo paraquedista deve ser descartado após a retenção de uma queda.
Os equipamentos devem ser mantidos em bom estado de conservação, de preferência, armazenados ao abrigo de radiação ultravioleta (raios UV) e em ambientes arejados quando fora de serviço. O cuidado com o EPI é inerente ao seu bom funcionamento e cabe ao usuário mantê-lo em boa condição de uso. Isso é válido para todos os equipamentos de proteção em altura: Cintos de segurança, dispositivos de ancoragem e elementos de união como talabartes e trava quedas.

Vida útil

A vida útil de um equipamento pode variar conforme os seguintes fatores:
a) Frequência de uso;
b) Condição de armazenagem;
c) Condição de uso e conservação;
d) Ambiente de trabalho;
Veja que esses fatores são bastante subjetivos e podem variar conforme cada segmento de trabalho (construção civil, indústria, etc). Mesmo assim, é comum que os fabricantes estabeleçam prazos de validade médios de forma a nortear o usuário em processos de inspeção e manutenção. É imprescindível que equipamentos vencidos, de procedência desconhecida ou com sinais de desgaste ou mau uso, sejam inspecionados por profissional habilitado de forma que sejam validados quanto à sua integridade operacional. Equipamentos não passíveis de reparo devem ser descartados imediatamente de forma a se evitar acidentes.

Inspeção periódica x inspeção diária

Estas inspeções não podem ser confundidas e ambas são de suma importância para a segurança. A capacitação para estas inspeções deve ser diferenciada bem como o tempo dispendido sobre elas.




Inspeção diária:

É aquela realizada diariamente pelo próprio trabalhador, tanto antes como durante a utilização do equipamento. Todo usuário deve receber treinamento obrigatório para executar esse tipo de inspeção de forma que esteja munido de informações mínimas para identificar algo que possa gerar risco à sua segurança. Caso algo chame a atenção do trabalhador, o mesmo deve relatar o ocorrido à equipe de segurança competente e encaminhar o equipamento para uma inspeção mais aprofundada como a periódica, que será explicada a seguir.

Inspeção periódica:

É aquela feita por profissional devidamente treinado e habilitado a avaliar equipamentos de forma mais profunda. Este profissional deve seguir as orientações fornecidas pelo fabricante do equipamento, registrando as inspeções em uma ficha de controle. Este procedimento pode ser efetuado de forma preventiva ou corretiva, no caso de peças que devem ser encaminhadas para manutenção. Além disso, esse tipo de inspeção auxiliará na identificação da vida útil do equipamento a medida que certas atividade são realizada.

Registro da inspeção

A inspeção periódica deve sempre ser registrada de alguma maneira que possibilite sua rastreabilidade. A tabulação dos registros pode gerar informações para justificar a substituição dos equipamentos de forma preventiva em determinados intervalos de tempo. O acompanhamento desta tabulação também vai auxiliar a estabelecer a periodicidade mais adequada entre as inspeções.

Armazenamento e limpeza

A inspeção de um equipamento que é armazenado e limpo corretamente apresenta um resultado melhor e possibilita maior segurança ao trabalhador e uma vida útil mais longa ao equipamento. Uma limpeza como forma de manutenção após o uso deve contemplar a remoção de sujeira, agentes corrosivos ou contaminantes. As áreas de armazenamento devem estar limpas, secas, protegidas da luz solar direta e livres de exposição a gases ou elementos corrosivos. Seguem dicas de como preceder na limpeza dos equipamentos:

1) Náilon ou poliéster - remova a sujeira da superfície com uma esponja úmida e detergente neutro. Esfregue as fitas em movimentos de “vai e vem” e enxugue com o auxílio de um pano seco;
2) Invólucro - limpe a unidade periodicamente usando um pano molhado e detergente neutro. Enxugue com um pano limpo;
3) Secagem - o equipamento deve secar bem, sem ser exposto ao calor, vapor ou ao sol por longos períodos.
Não utilize radiação ou fontes de calor em processo de secagem de EPI.


Inspeção do cinturão paraquedista e do cinturão abdominal
 1) Cinturão – usando as mãos, afaste a trama cerca de 20 cm. Dobre-a em forma de “U” invertido como mostra a figura. A tensão superficial resultante torna mais fácil detectar fibras danificadas ou cortes. Repita este procedimento por toda extensão do cinturão, verificando ambos os lados de cada fita (cadarço). Procure bordas gastas, fibras rompidas, costuras abertas, cortes, pontos queimados e danos químicos.


2) Argolas em D – verifique as argolas em D quanto a deformações, rachaduras, quebras e cantos ásperos ou vivos. Se possível compare com argolas de outros cinturões de mesmo modelo.






  
3) Fixação das fivelas –verifique desgaste anormal, fibras gastas ou cortadas e costuras rompidas na fixação da fivela e das argolas em D

     



     4) Lingueta/olhais – a lingueta fica bastante gasta devido ao constante afivelamento e desafivelamento. Verifique se há olhais soltos, deformados ou quebrados. O cinturão não deve ter punções adicionais.
                                                                                                                                                                    
Lingueta – a lingueta deve estar livre de distorções, tanto no formato quanto no movimento. Deve sobrepor-se a moldura da fivela e mover-se para frente e para trás no suporte. O rolete deve girar livremente na moldura. Verifique se há deformações ou cantos vivos.

     5) Fivelas de atrito e fivelas duplas – verifique se existem deformações. As barras externas e centrais devem estar retas. Preste atenção especial aos cantos e aos pontos de fixação na barra central. Compare as fivelas do cinto entre si.

      6) Fivelas de engate rápido – verifique se a fivela está deformada. As barras externas e centrais devem estar retas. Certifique-se de que o mecanismo de liberação de aba dupla está livre de resíduos e que engata corretamente.

Ao inspecionar talabartes, comece numa extremidade e trabalhe em direção à extremidade oposta, girando o talabarte vagarosamente, de modo a verificar todos os lados. Além disso, siga os procedimentos abaixo.
    1)  Ferragens:  A. Engates: verifique de perto se há deformações nos ganchos e olhais, rachaduras, corrosão ou superfícies com impactos. O fecho deve assentar-se no nariz sem prender-se sem estar distorcido nem desobstruído. A mola do fecho deve exercer força suficiente para fechá-lo firmemente. As travas do fecho devem impedí-lo de se abrir involuntariamente.






B. Sapatilhas: a sapatilha deve ser firmemente assentada no olhal da junção e a junção não deve possuir feixes soltos ou cortados. As bordas da sapatilha não devem apresentar cantos vivos, deformação ou rachaduras.
 2)      Talabarte de cabo de aço – ao girar o talabarte de cabo de aço, verifique se há cortes, áreas gastas ou padrões de desgaste anormais no cabo. Feixes rompidos deverão separar-se do corpo do talabarte.


3) Talabarte em fita – ao dobrar a fita sobre um tubo, observe cada lado do talabarte. Isso irá revelar cortes ou quebras. Inchaço, descoloração, rachaduras e carbonização são sinais óbvios de danos químicos ou térmicos. Observe cuidadosamente se há rompimentos nas costuras.


4) Talabarte de corda torcida – gire o talabarte de corda para verificar se há fibras difusas, gastas, rompidas ou cortadas. Áreas debilitadas por cargas extremas irão surgir como alteração visível no diâmetro original. O diâmetro da corda deve ser uniforme em toda sua extensão.
 
5) Pacote de absorvedor de impacto – a parte externa do pacote deve ser examinada quanto a furos de queima e desgaste. As costuras nas áreas em que o pacote é firmado a cintos ou talabartes devem ser examinadas quanto a feixes soltos, rasgos e deterioração.


                                                        CONCLUSÃO

            As inspeções de Seguranças nos equipamentos são de extrema importância na prevenção de acidentes de trabalho e são requisitos obrigatórios.
Conforme NR 35- Se faz necessário realizar as inspeções periódicas e rotineiras em todos os equipamentos e acessórios. Espero ter ajudado de alguma forma com esse breve artigo.
Ronildo Lopes.
Consultor em Segurança do Trabalho, Diretor Técnico da D+ Segurança e Saúde Ocupacional, Técnico de Segurança do Trabalho, Bombeiro Civil, Resgatista Técnico em Ambientes Verticais, Instrutor de Brigada de Incêndio, Instrutor de Trabalho em Altura, Inspetor de Acessósrios de Movimentação, Supervisor de Ringger;

Bibliografia:

http://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/Fall_Inspe%C3%A7%C3%A3o_de_Equipamentos.aspx

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